O Presidente do maior partido na oposição UNITA, apelou esta quinta-feira, 05, na cidade de Malange, aos seus deputados que trabalhem “para a concretização de uma alargada revisão constitucional”, que não incorpore “projetos maquiavélicos de se perpetuarem no poder”.
De acordo com o Adalberto Costa Júnior, que discursou ontem na abertura das XI jornadas parlamentares da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), que decorrem em Malanje sob o lema “Grupo Parlamentar da UNITA — pela Democracia, Cidadania e Desenvolvimento Inclusivo”, salientando que passados 48 anos da independência nacional e 21 anos de paz, o país “vive o desencanto das suas populações para com os governantes”.
Segundo Adalberto Costa Júnior, o partido tem 90 deputados, “que já não são tão poucos”, o que necessariamente deve traduzir-se num aumento da sua capacidade e desempenho como oposição democrática e patriótica.“Durante o
ano parlamentar que está prestes a ter início na Assembleia Nacional, os
deputados da UNITA deverão trabalhar para a concretização de uma alargada
revisão constitucional. Mas não aquela revisão que o regime pretende e que, na
verdade, representaria um golpe constitucional, em ordem a incorporar projetos
maquiavélicos de se perpetuarem no poder”, orientou.
“A revisão
constitucional que pretendemos e que passa, concomitantemente, por uma revisão
igualmente da Lei do Orçamento Geral do Estado, deverá perseguir o objetivo de
se pôr termo ao uso abusivo que o Presidente da República e Titular do Poder
Executivo tem vindo a fazer do Orçamento”, acrescentou.
“O país que
temos hoje é caracterizado por uma profunda crise social, económica e
institucional”, disse Adalberto Costa Júnior, exemplificando a situação com “os
jovens que fazem filas nas embaixadas à procura de uma oportunidade de
abandonar o país, sem que os governantes mostrem qualquer preocupação com estes
gritantes sinais de alarme”.
O dirigente
máximo da UNITA destacou ainda que, um ano após as eleições, “seria normal
esperar um ciclo de governação que analisasse as abordagens negativas que
precederam o período eleitoral e as corrigisse no sentido da consolidação de um
Estado Democrático e de Direito, no sentido da concretização da Reconciliação
Nacional, no sentido da promoção do desenvolvimento, no sentido da correção das
assimetrias, mas infelizmente nada disso aconteceu”.
“Temos uma
governação incapaz de cumprir com as promessas eleitorais, uma governação
decidida a manter o sistema judicial submisso e uma governação que viola
constantemente os direitos e as liberdades dos cidadãos. Um poder executivo que
exibe a extrema censura na comunicação social pública, sem qualquer
pudor, uma governação que perdeu o controlo dos limites éticos e morais na
busca de vantagens políticas, destruindo a imagem de instituições, deslocadas
das suas missões tradicionais e colocadas na promoção do ódio”, frisou.
De acordo com Adalberto Costa Júnior, os angolanos têm também “uma governação que persiste na contratação sem concursos públicos, na institucionalização da corrupção, na venda de património público ao desbarato, na promoção de monopólios que destroem o tecido económico e combatem o setor empresarial”.
Estas
jornadas parlamentares, acrescentou o líder da UNITA, são para “refletir sobre
como resgatar a esperança de um povo generoso”.
“O grupo
parlamentar deve abraçar estratégias que permitam resgatar o país de um grupo
de oligarcas que engordam o seu património pessoal à sombra de um sistema
partidário e clientelar” afirmou o representante, pedindo aos deputados que
coloquem todo o seu saber, inteligência e dedicação ao serviço do angolano e da
construção de uma Angola que cuide melhor dos seus filhos, “que restaure a
esperança num futuro melhor para todos”.
“Que o grupo
parlamentar tome iniciativas legislativas que permitam a realização das
autarquias em 2024 e que exponham sem limites os partidos que viraram as costas
ao seu povo e os conduzem à pobreza e ao sofrimento”, exortou Adalberto
Costa Júnior, afirmando que se “a UNITA fosse governo” as primeiras eleições
autárquicas teriam sido realizadas este ano, em simultâneo e em todos os municípios
do país.


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