Os funcionários da empresa de Transportes Colectivos Urbanos de Luanda (TCUL) acusam a empresa de proceder a descontos sem justificação que variam de 2.000 a 40 mil kwanzas, uma situação que já dura há dois anos.
Depois desta denúncia feita ao Novo Jornal pela comissão sindical da CGSILA na TCUL, a direcção da empresa não aceitou falar sobre o assunto sob o argumento de que os funcionários devem queixar-se na Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE).
Para além desta situação, os trabalhadores queixam-se igualmente da má
aplicação do Qualificador Ocupacional, um instrumento legal, criado pelo
decreto n.º 70/01 de 5 de Outubro de 2000, exigido nas empresas (pública /ou
privadas), que estabelece a obrigatoriedade para a remuneração correspondente
dos funcionários.
Segundo a comissão sindical da TCUL, este instrumento está aplicado de forma
injusta na empresa por não levar em consideração o tempo de serviço do
trabalhador, mas sim o nível académico dos trabalhadores.
Conta a comissão sindical que o conselho de administração da TCUL aplicou o
Qualificador Ocupacional fora dos critérios normais e prejudicou
maioritariamente todos os funcionários, independentemente da área de serviço.
José António Panzo, 1º secretário da comissão sindical da SGSILA na TCUL, disse
ao Novo Jornal que a empresa qualificou simplesmente os certificados académicos
e não os trabalhadores e que por isso todos os funcionários pedem a sua
alteração.
Segundo este sindicalista, nenhum funcionário antigo, com mais de 10 ou 15 anos
de serviço, foi tido pelo Qualificador Ocupacional que não olhou também para
área de formação, mas sim a grau académico do trabalhador, o que para eles está
errado.
"Foram promovidos pessoas com dois meses de serviço, e na sua maioria
quadros novos, que estão formados em áreas que nem sequer é tida em conta na
TCUL, e não os funcionários antigos que deram a sua vida pela empresa e que não
tiveram tempo sequer de voltarem para a escola", lamentam.
Conforme José António Panzo, a situação está a gerar grande desconforto na
empresa visto que nos últimos dois anos a TCUL admitiu novos funcionários com
outros requisitos que não o habitual.
"Antigamente, para entrar na TCUL, era exigida no mínimo a 6ª classe. Em
2021, admitiu novos trabalhadores, muitos com formação superior. Esses é que
foram qualificados e não olhou para os quadros que estão há 20 anos e com larga
experiência profissionai", denunciou, acrescentando que "estes
colegas novos estão a ganhar mais que os antigos, com diferenças
abissais".
Segundo apurou o Novo Jornal, esta situação foi um dos motivos que levou a que
dois funcionários bloqueassem nas primeiras horas do dia 11, na base de Viana,
mais de 100 autocarros para chamar a atenção do Executivo.
Ao Novo Jornal, Catarino Eduardo César, o presidente do conselho de
administração da TCUL, disse que o Qualificador Ocupacional pode estar errado,
mas defendeu que foi feito por especialistas do MAPESS, com o conhecimento dos
funcionários.
"Foram três meses para fechar esse documento que não tem ainda seis meses
desde a sua implementação", disse o PCA, que, no entanto, não aceitou
argumentar mais sobre o assunto, alegadamente por ter, esta semana, um encontro
com o sindicato da TCUL.
Sindicato denuncia que trabalhadores são descontados todos os meses de forma
misteriosa
José António Panzo, o secretário da comissão sindical da SGSILA na TCUL, disse
ao Novo Jornal que todos os meses os funcionários da TCUL sofrem descontos
ilegais nos seus ordenados e que a empresa não consegue justificar.
Segundo este sindicalista, essa questão já foi reportada ao conselho de
administração da empresa e não é feito nada até agora.
"Os funcionários são descontados todos os meses em parcelas que desconhecem
a sua razão. Os descontos variam de 2.000 a 40 mil kzs. Isso está desde a
entrada do PCA, há dois anos, e não nos dão uma informação real ou
justificação. A verdade é que no recibo salarial há um valor líquido, e no
banco encontramos outro", denunciou.
Conforme este sindicalista, os descontos legais são feitos porque estão
expressos no recibo salarial, mas no banco encontram valores a menos que o do
recibo.
Por exemplo, explica, no meu recibo está 130 mil kz, como valor líquido a
receber, mas no banco a empresa só deposita 110 mil kz. Onde foram os 20 mil?
Questiona.
Ao Novo Jornal a comissão sindical da SGSILA na TCUL mostrou diversos extractos
bancários e recibos salariais onde aparecem tais contrastes.
Catarino Eduardo César, o PCA da TCUL, quando questionado sobre o assunto pelo
Novo Jornal, preferiu não comentar sob argumento que esses os funcionários
devem apresentar queixa ao IGAI.
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