O líder do Conselho Islâmico (CIM) de Angola estimou hoje que cerca de 100 mil pessoas professam esta religião no país lusófono, admitindo que ainda não está reconhecida oficialmente por "falta de vontade política".
Altino da Conceição que falava aos jornalistas em Luanda, à margem de uma
palestra sobre as comunidades muçulmanas da CPLP e combate ao extremismo
religioso, onde participou a organização congénere de Moçambique, explicou que
os muçulmanos pediram pela primeira vez o reconhecimento da sua religião em
Angola a 8 de agosto de 1978, sem sucesso até agora, e só em 2018 entraram na
lista de confissões religiosas com pedido de reconhecimento.
"Atualmente estamos em vias de reconhecimento, desde 2018 que o islão
consta da lista das igrejas que estão em vias de reconhecimento do INAR
(instituto para os assuntos religiosos)", declarou o presidente do CIM
Angola.
Na altura, a lista teria 97 igrejas, algumas das quais entretanto
reconhecidas e cerca de 20 credenciadas, dando o primeiro passo para o
reconhecimento, indicou.
"Estranhamente, nós, os muçulmanos fizemos tudo o necessário,
cumprimos todas as exigências da lei, mas até agora infelizmente o governo não
se pronuncia sobre a legalização do islão em Angola", lamentou Altino da
Conceição, embora considere que em termos de liberdade religiosa "estamos
melhor do que antes".
"Hoje em dia, talvez fruto da insistência da nossa parte, já não se
nota encerramento de mesquitas, ao contrário do que aconteceu no passado",
disse o líder religioso, acrescentando que existem mesquitas abertas em todas
as províncias com exceção de uma no Bié.
Afirmou que o exercício do culto tem sido pacifico e que os representantes
religiosos têm cumprido todos os passo que a lei exige, salientando que o
motivo pelo qual o governo até agora não reconhece a religião "é
abstrato".
"Isso leva-nos a muitas reflexões, muitas conclusões, não digo que é
exatamente receio do terrorismo, se calhar tem outras questões, mas tudo indica
que é falta de vontade política, porque do ponto de vista legal fizemos
tudo", realçou.
Do ponto de vista social, "os muçulmanos estão estáveis na sociedade
angolana, acredito que seja uma questão política, também gostaríamos de saber
por parte das autoridades porque é que nem se pronunciam, não dizem nada",
disse Altino da Conceição.
O presidente do CIM sublinhou ainda que não existe historial de terrorismo
em Angola: "Já alguma vez em Angola houve questões, ameaças terroristas
dos muçulmanos? Nós não temos nenhum dado que em Angola houve alguma questão
terrorista", enfatizou.

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