O país registou um crescimento na capacidade de produção de energia de 4,9 gigawatts, em 2018, para 6,2 gigawatts, em 2022, de acordo com conclusões do 12º Conselho Consultivo do Ministério da Energia e Águas, que terminou, ontem, em Benguela.
Os participantes ao encontro realçaram,
também, o crescimento dos quilómetros de linha de alta tensão com a
interligação do Sistema Norte e Centro.
A necessidade de as Empresas Públicas Águas (EPA)
trabalharem no aumento da capacidade de produção até às zonas com défice
acentuado, bem como no aumento das ligações domiciliares para melhorar a
carteira de clientes e sustentabilidade das mesmas foram algumas das
recomendações do encontro, orientado pelo ministro João Baptista Borges.
Os participantes recomendaram, ainda, que as EPA
tenham em atenção a proporcionalidade do rácio número de trabalhadores versus
número de clientes, para melhor sustentabilidade das mesmas, bem como o acesso
à melhoria de energia.
Todas empresas deverão olhar continuamente à
necessidade de capacitação profissional, ao mesmo tempo que se expandem as
infra-estruturas e serviços, assegurando, assim, a sustentabilidade do serviço
do sector, lê-se no comunicado.
Os participantes recomendaram, ainda, que o excedente
energético seja comercializado a preços competitivos no mercado regional, bem
como que as concessionárias do sector contribuam para a promoção e
desenvolvimento industrial e expansão do acesso.
A necessidade de se trabalhar no sentido da
interligação dos sistemas Centro-Sul e Norte-Leste, com particular atenção à
Lunda-Norte, Lunda-Sul e Moxico, bem como a formação e capacitação humana,
também fazem parte das recomendações.
Para o efeito, o sector tem um centro de formação que
poderá ser melhorado, a fim de atender as necessidades das empresas no capítulo
de capacitação, reduzindo-se os custos com a formação no exterior do país de
grupos numerosos de técnicos.
Os participantes recomendaram, também, a necessidade
de se fazer uma análise da criação de uma academia de formação que integre os
centros de formação das águas. Durante o Conselho Consultivo, os participantes
visitaram a central fotovoltaica do Biópio, onde tiveram contacto com a
imponência do projecto, bem como o seu funcionamento. No local, constataram a
limpeza mecanizada de painéis solares e o ministro da Energia e Águas inaugurou
a central da região centro, no Lobito.
Durante os dois dias, os participantes partilharam
conhecimentos que visam concorrer para a melhoria do fornecimento de
electricidade e água.
"Acesso e melhoria de qualidade dos serviços de água”, "Acesso e melhoria na qualidade dos serviços de energia”, "Atracção de investimento, modelo de mercados, deficiência dos tarifários e sustentabilidade das despesas” foram alguns dos temas discutidos.
Definição de planos
Ao encerrar o encontro, o ministro da Energia e Águas
defendeu a definição de planos de investimentos que possam atingir os objectivos
preconizados.
João Baptista Borges disse ser importante levar
adiante as acções de investimentos que são necessárias, acompanhar projectos,
assegurar que as soluções são as mais indicadas.
"É preciso vermos, na perspectiva de médio e
longo prazo, o crescimento dos sectores da Energia e Águas, olhar para eles
daqui a 10 ou 20 anos, a fim de se saber para onde estamos a
caminhar”, defendeu.
Participaram do evento, vice-governadores das
províncias de Benguela, Bié, Cunene e Lunda-Sul, representantes dos Ministérios
da Agricultura e Florestas, dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, do Ambiente,
da Indústria e Comércio, representantes dos órgãos centrais dependentes do
Ministério da Energia e Águas, entre outros, totalizando 224 participantes.

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