O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, anunciou, no último sábado,
10, a criação de um grupo de trabalho que deverá, juntamente com as
organizações da sociedade civil angolana, encaminhar às instâncias
internacionais de justiça um dossier, em forma de denúncia, com os mais de 170
assassinatos envolvendo efectivos da Polícia Nacional, ocorridos entre 2017 e
2023.
Comité Permanente da Comissão Política da UNITA, realizado na Complexo SOVSMO,
em Viana, defendeu a necessidade de o seu partido se opor “a este estado de
coisas de forma energética”, bem como promover “acções mais criativas e
arrojadas”, como, por exemplo, esta iniciativa de chegar “às mais altas
instâncias internacionais de Justiça”, denunciado tais “crimes”.
valiosos quadros da área do direito e justiça do partido e em contacto com a
sociedade civil, deverão tomar em mãos a tarefa de organizar um exaustivo
dossier sobre o assunto”, anunciou Adalberto Costa Júnior, acrescentando, “este
relatório será encaminhado, como denúncia, às mais altas instâncias
internacionais de justiça; sem prejuízo de que seja remetido aos tribunais
nacionais”.
Durante a sua alocução, o presidente da UNITA apresentou aquilo a que
chamou de “exercício estatístico sobre os assassinatos cometidos pelo estado
securitário implantado pelo regime do MPLA em Angola”, apresentando um total de
173 mortes confirmadas oficialmente de cidadãos, mortos durante o consulado de
João Lourenço, isto é, dos últimos seis anos.
Adalberto Costa Júnior não só apresentou os números das mortes, como também se
referiu às circunstâncias em que os cidadãos foram mortos por efectivos da
Polícia Nacional, fazendo um enquadramento político dos factos em causa.
“Os órgãos de justiça demitiram-se das suas responsabilidades, permitindo que o
governo utilize a Polícia Nacional e demais órgãos de defesa e segurança de
modo desproporcional contra os cidadãos nacionais, inclusive permitindo que se
dispare à queima-roupa, na maior das impunidades”, acusou.
Sobre a razão de ser destes acontecimentos? Sabe-o o próprio líder da UNITA:
“Tudo isto está a ser causado, em grande medida, pela construção de uma
sociedade fechada, asfixiada entre os interesses partidários, sem debate
contraditório, com uma imprensa pública totalmente submissa, que manipula a
realidade do país que não serve as exigências do país”.
Adalberto Costa Júnior, que destacou o facto de a VI Reunião do Comité
Permanente ter acontecido numa conjuntura política, social e económica do país
bastante delicada e grave, considerou que o governo do MPLA está a emitir
“sinais de distanciamento às exigências dos angolanos”, dez meses após as
eleições.
“Dá sinais de incapacidade de governação em democracia; dá indicações de não
ter soluções para a pobreza, para o desemprego, para a diversificação da
economia, para as reivindicações dos sindicatos, para as exigências da
sociedade civil, para as classes profissionais, para os jovens, para as mamãs
que zungam para sustentar as suas famílias”, sustentou.
Para o político, a mensagem comum que o governo de João Lourenço tem dado é
“repressão”, assim como limitar as liberdades, a criação de monopólios que
destroem a economia. “E não fazemos esta afirmação de forma gratuita, mas
porque são os factos que o demonstram. O Estado democrático e de direito tem
estado adiado por este governo do MPLA”, opinou.
Tudo isso, segundo Adalberto Costa Júnior, exige da “UNITA uma tomada de
posição enérgica e à altura das circunstâncias”, por considerar que “a política
atingiu o nível muito baixo e os angolanos estão a morrer por causa disso, sem
que nada o justifique, num contexto que deveria ser absolutamente de paz e de
crescimento económico”, já que o país tem recursos, “que têm sido muito mal
utilizados”.

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