Igreja Católica reprova aumento de “quase 100%” do preço da gasolina no país

 O bispo católico e
porta-voz da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), Belmiro
Chissengueti, reprovou o aumento de “quase 100%” do preço da gasolina em Angola,
defendendo “aumentos paulatinos” adequados ao poder de compra dos cidadãos.



“Estão lá, no parlamento e no conselho de ministros,
cristãos que acreditam em Deus, que têm a obrigação de conhecer a realidade das
pessoas e saberem que em parte nenhuma do mundo se faz um aumento de quase
100%”, não”, disse hoje Belmiro Chissengueti, citado pela Emissora Católica de
Angola.



 Para o também bispo da diocese de Cabinda, norte de
Angola, os aumentos “têm de ser paulatinos para se adequarem um pouco a mente e
à capacidade aquisitiva das pessoas".



 "Há países que paralisaram por causa de um
cêntimo no preço do pão”, notou.



 “Então, os cristãos que estão lá no parlamento ou na
política é que devem dizer QUE isto é muito, por estarem nas instituições devem
influenciar as decisões com a sua fé, essa é a sua missão”, exortou ainda o
prelado católico.



O litro de gasolina em Angola passou a custar 300 kwanzas
(0,48 euros) contra os anteriores 160 kwanzas (0,25 euros).  O Governo
angolano anunciou a retirada gradual de subsídios à gasolina, mantendo a
subvenção ao setor agrícola e à pesca.



 De acordo com o ministro de Estado para a Coordenação
Económica de Angola, Manuel Nunes Júnior, as tarifas dos taxistas e
mototaxistas vão ser subvencionadas, continuando os mesmos a pagar 160 kwanzas
o litro de gasolina, cobrindo o Estado a diferença.



 Várias entidades de Angola já se manifestaram
contrárias à esta decisão do Governo angolano, acreditando que a medida deve
encarecer os produtos da cesta básica e a vida das populações.  Um
protesto contra a atribuição de subsídios aos combustíveis, no Huambo, terminou
com cinco mortos, oito feridos e 34 detidos, segundo a polícia.



 O Governo angolano vai liberalizar os preços dos
combustíveis, de forma faseada, até 2025, começando pela remoção parcial dos
subsídios à gasolina, cujo preço será “livre e flutuante” já no próximo ano.

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