Apesar da Constituição angolana não proibir cidadãos ou
dirigentes de terem dupla nacionalidade, o referido tema foi ressuscitado em
Angola, pelo presidente do MPLA João Lourenço, durante a campanha eleitoral de
2022. Sem nomear ninguém, João Lourenço atacou os políticos que têm dupla
nacionalidade, acusando-os de “desonestos com o povo.
*Por redacção
Tem sido um tema bastante polémico e como sempre, o Presidente da República e
do MPLA, João Lourenço voltou a dar tiro no seu próprio pé. O actual chefe da
Casa Militar, general Francisco Pereira Furtado é o exemplo da dupla
nacionalidade.
O terceiro
homem do país, depois de uma travessia pelo deserto, rumou pela sua terra natal
Cabo Verde, onde também estão instaladas algumas das suas empresas, concorrerem
para as eleições presidenciais naquele arquipêlago, mas não teve sucesso e foi
corrido e considerado com persona non grata. Voltou em Angola e foi reabilitado
pelo João Lourenço.
Considerado
como “boca azul”, João Lourenco naltura das eleições de 28 de Agosto de 2022,
mandou algumas indirectas ao presidente da Unita, Adalberto Coista Junior com
seguinte teor: “Os candidatos do MPLA à Presidência da República,
Vice-Presidência e deputados não têm dupla nacionalidade e não foram desonestos
com o povo, os partidos onde os políticos são apenas angolanos a escolha é
óbvia, ‘o candidato da UNITA Adalberto Costa Júnior’ tem dupla nacionalidade”,
disse durante um comício. tendo acrescentado
“Hoje estão a concorrer nessas eleições (Angola), amanhã vão poder concorrer às
eleições nos outros países [Portugal], porque esses candidatos não são só
cobardes como são também desonestos”, repontou o líder do MPLA.
A polémica da dupla nacionalidade
Apesar da
constituição angolana não proibir cidadãos ou dirigentes de terem dupla
nacionalidade, quase a maioria dos dirigentes do MPLA e pessoas ligadas ao
partido dos camaradas, inccluíndo a primeira-dama, Ana Dias Lourenço, possuem
dupla nacionalidade.
CÉSAR LABORINHO
conforme, o assento de nascimento No 79135, passado pela conservatória dos
registros centrais de Lisboa, aos 29 de setembro de 2009.
FRANCISCO PEREIRA FURTADO, Ministro de Estado e Chefe da Casa Militar.
Filhos de pais cabo verdianos. Pai natural das ilhas de Santiago e mãe de Santo
Antão. O Jornal caboverdiano "Santiago Magazine" apresenta-lhe como dono
de herdades vinícolas em Angola além de outras participações em empresas de
peso nesse país, pretendia investir em Cabo Verde nas áreas de comunicação e
educação, mas tudo foi abaixo depois de perder milhares de dólares. Durante uma
visita a Cabo Verde, em 2016, disse a agencia InforPress, que “Sempre que temos
a oportunidade de visitar Cabo Verde, aproveitamos para conviver com as nossas
origens”.
MARCY
CLAÚDIO LOPES - Ministro da justiça, nacionalidade portuguesa
conforme o assento 27839, emitido pela conservatória dos registros centrais de
Lisboa, aos 19 de Julho de 2017.
VICTOR FRANCISCO DOS SANTOS FERNANDES - Ministro da Indústria e Comércio, nacionalidade portuguesa
conforme o assento de nascimento 23195 do ano de 2007, passado pela conservatória
dos registros centrais de Lisboa.
BAPTISTA BORGES - Ministro da Energia e Águas, nacionalidade
portuguesa conforme o assento 708-A, emitido pela conservatória dos registros
centrais de Lisboa, aos 03 de Julho de 1985. Obteve pelo seu progenitor Armando
Borges, que é natural da freguesia de Samões, município de Vila Flor, Bragança,
Portugal.
RICARDO DANIEL SANDÃO QUEIRÓS VIEGAS DE ABREU - Ministro dos Transportes; dupla nacionalidade conforme atesta
o seu assento de nascimento no 12678, emitido aos 22 de Julho de 2014, pela
Conservatória do registro Civil Viana de Castelo. Ricardo Abreu obteve a
cidadania portuguesa por via de um bisavô materno, Diogo Filipe Sandão, natural
da freguesia de São Pedro.
LAURINDA
JACINTO PRAZERES, Juíza Presidente do Tribunal Constitucional.
É detentora de cidadania portuguesa , conforme atesta o Assento de Nascimento
numero 62026, emitido pela conservatória dos registros centrais de Lisboa, aos
21 de Outubro de 2014.
JÚLIA
DE FATIMA LEITE DA SILVA FERREIRA, Juíza do Tribunal
Constitucional ex - Porta Voz da CNE. Dupla cidadania conforme, o assento de
nascimento No 27682, passado pela conservatória dos registros centrais de
Lisboa, aos 28 de Dezembro de 2007.
MARIA TERESA MARÇAL ANDRÉ BAPTISTA BORGES, Juíza do Tribunal Supremo, Nascida na província da
Huíla. Detém nacionalidade portuguesa.
LUIS
MANUEL DA FONSECA NUNES, Governador de Benguela, nacionalidade
portuguesa conforme o assento 956-D, emitido pela conservatória dos registros
centrais de Lisboa, aos 16 de Maio de 1990.
FILIPE SILVINO DE PINA ZAU - Ministro da Cultura, Turismo e Ambiente. Nascido em Portugal
aos 2 de Novembro de 1950. O seu pai era marítimo, nascido em Cabinda, e a sua
mãe era cabo-verdiana, da familia De Pina.
ANA
PAULA CHANTE DE CARVALHO “PAULINHA”, Ministra do Ambiente.
Nascida em Cuvango, província da Huíla. Filha de países cabo-verdiana. A
família Chantre é o clã bem presente na cultura, no nacionalismo e na
governação de Cabo Verde. O antigo combatente Honório Chantre Fortes que faleceu
em 2020, foi ministro da Defesa deste país. A veterana Josefina Chantre, é a
fundadora da Organização das Mulheres de Cabo Verde (OMC). O músico Teófilo
Chantre é conhecido pelos temas da sua autoria, popularizados pela Cesária
Évora.
CERQUEIRA - Actual Presidente da Assembleia Nacional. Renunciou
a nacionalidade portugues semanas antes das eleições de 2022, depois de haver
garantias de que seria a Vice-Presidente da República. Obteve a cidadania
portuguesa por conta do seu pai Clementino Cerqueira, nascido em amarante, nos
arredores da cidade do Porto, em Portugal, conforme lê-se o seu assento de
nascimento 94418 do ano de 2009.
*com Clube-K






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